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Os três atos de uma noite histórica em solo uruguaio

Montevidéu, quarta-feira, 26 de abril de 2017.

Assim que o árbitro paraguaio Enrique Cáceres iniciou a partida entre Peñarol e Palmeiras, no estádio Campeón del Siglo, pela quarta rodada da Libertadores, o contestado técnico Eduardo Baptista e os seus comandados não faziam ideia de que entrariam para a história do Clube. Eles não faziam ideia de que escreveriam mais um capítulo heroico na rica história do Palmeiras.

Recém-eliminado do Campeonato Paulista pela Ponte Preta, os jogadores sabiam que precisavam vencer os uruguaios fora de casa para não deixar a fumaça de um princípio de incêndio crescer. Mais do que isso: sabiam que uma derrota faria aumentar a insatisfação da torcida e as críticas da imprensa para com o trabalho do treinador, que eles tanto fazem questão de blindar. Palmeiras05

Preocupado com essa pressão, Baptista mandou a campo um Palmeiras com três zagueiros, e o que se viu foi um time mais perdido do que surdo em bingo. Sem conseguir trocar três passes no setor ofensivo, a equipe se auto-encurralou na defesa e viu os donos da casa construir, sem esforços, um placar de 2 a 0, nos primeiros 45 minutos.

Ao final da primeira etapa, todo e qualquer palmeirense tinha um único desejo em mente: a demissão imediata de Baptista. Estava nítido que o treinador não tinha comando sobre o elenco, tampouco sabia o que fazer com as peças à disposição.

Aparentemente desnorteado, o treinador usou o intervalo para sacar Vitor Hugo e Egídio, e colocar Willian e Tchê Tchê. As mudanças funcionaram como uma bússola e deram um rumo ao time. Com o esquema no qual está acostumado a jogar, a equipe ganhou confiança.

1º ATO HISTÓRICO

Tecnicamente limitado, o Peñarol se assustou com o adversário que voltou dos vestiários. Tanto, que aos 17 minutos a vantagem da primeira etapa não existia mais. Com gols de Willian e Mina, o Alviverde já havia empatado e jogava em busca da vitória. Dez minutos mais tarde, todo o esforço foi correspondido. E coube a Willian, de novo, anotar o gol da virada. Palmeiras03

A partir daí, Baptista, à beira do gramado, orientava os seus atletas com afinco. Gritava. Nem parecia a mesma pessoa. Sem sustos, o Verdão segurou o resultado e colocou um ponto final no primeiro ato histórico da noite: a virada épica em pleno território uruguaio.

2º ATO HISTÓRICO

Visto como persona non grata em Montevidéu por falar, em sua apresentação, que daria tapa na cara de uruguaio, se fosse preciso, para levar o Palmeiras à conquista da América, Felipe Melo foi cercado e agarrado por jogadores do Peñarol, assim que Cáceres apitou o fim de jogo. Sabedor de que seria alvo de provocações, o volante tentou sair à francesa.

Em vão… Palmeiras01

Perseguido de perto por Matías Mier, que tentava o acuar, Felipe Melo se aproveitou de um instante em que o oponente abriu a guarda, e lhe desferiu um cruzado de direita (a promessa estava cumprida). O golpe não levou o uruguaio à nocaute. No entanto, iniciou uma luta campal no Campeón del Siglo.

Sujos, os diretores do Peñarol não abriram o portão do campo que dá acesso aos vestiários. Enquanto isso, um jornalista e atletas uruguaios se armaram com o tripé de uma equipe de televisão e o pau de uma das bandeirinhas. Ao final do embate, Palmeiras02Fernando Prass e Willian acabaram com ferimentos na boca e no rosto, respectivamente.

Ao ver os seus jogadores apanharem na bola e na mão, os torcedores do Peñarol resolveram vingar a pátria celeste, e partiram pra cima dos cerca de 2 mil palmeirenses nas arquibancadas. Sem polícia no estádio, palmeirenses comum e integrantes da Mancha Verde se defenderam do ataque com braveza para evitar uma chacina.

3º ATO HISTÓRICO

Aliviado com a vitória e a classificação às oitavas de final quase garantida, Baptista fechou a noite com chave de ouro. Indignado por ser visto e tratado pela imprensa como um treinador frouxo, ele socou a mesa e elevou o tom de voz várias vezes durante a entrevista coletiva.

Foi além disso: mandou recado duro aos críticos do Palmeiras. Principalmente àqueles parciais, que comentam futebol com a camisa de times rivais sob os uniformes de diferentes emissoras de São Paulo. Palmeiras04

Se o 1º ato histórico da noite já amenizara a revolta da torcida, a forma como o treinador se comportou perante os jornalistas – exigindo respeito ao seu trabalho e ao Clube – fez com que ele passasse a ser blindado, também, pelos torcedores.

Tenho certeza que a partir de agora, Baptista terá mais tranquilidade e apoio para montar a equipe como sonha em busca de uma conquista histórica: o bicampeonato da Libertadores.

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